quarta-feira, 10 de março de 2010

Thomas Merton: oração!


Li esta linda oração de Thomas Merton e resolvi postar aqui...

Um pensamento para recordar: “Quando nos dispomos simplesmente a obedecer a Deus, um pouco de esforço poderá fazer uma grande diferença.”

SENHOR, MEU DEUS, não sei para onde vou. Não vejo o caminho diante de mim. Não posso saber com certeza onde terminará. Nem sequer, em realidade, me conheço, e o fato de pensar que estou seguindo a Tua vontade não significa que, em verdade, o esteja fazendo.

Mas creio que o desejo de Te agradar Te agrada realmente. E espero ter esse desejo em tudo que faço. Espero que jamais farei algo de contrário a esse desejo. E sei que, se assim fizer, Tu me hás de conduzir pelo caminho certo, embora eu nada saiba a esse respeito.

Portanto, sempre hei de confiar em Ti, ainda que me pareça estar perdido e nas sombras da morte. Não hei de temer, pois estás sempre comigo e nunca me abandonarás, para que eu enfrente sozinho os perigos que me cercam
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Livro: Na liberdade da solidão (Thomas Merton)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio!



Gosto muito deste maravilhoso texto do Rubem Alves. É preciso calar, o falar do outro é sagrado!
Escutatória

Por Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.

Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro.
Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.

A música acontece no silêncio.

É preciso que todos os ruídos cessem.

No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou.

A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.

Somos todos olhos e ouvidos.

Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

#Cparty 2010







Eu, a Pink e o Cleber estivemos na Campus Party 2010 na Expo Imigrantes em São Paulo. Foi um dia inteiro de muita diversão e informação.
A Campus Party é considerado o maior evento de inovação tecnológica, informática, internet e entretenimento eletrônico em rede do mundo.
Anualmente participam do evento estudantes, professores, cientistas, jornalistas, pesquisadores, artistas, empresários e curiosos... eu faço parte dessa turma aeee, a dos curiosos... hehehe
A Campus Party durante 7 dias, oferece 24 horas de atividades, e os campuseiros, pessoas que acampam no local do evento, e demais participantes e convidados podem participar de palestras, oficinas, concursos entre outras atividades.
Gostei de participar da edição de 2010 da feira, foi muito divertido, muito bacana.

UP - Altas Aventuras




UP - Alta Aventuras é uma das animações mais divertidas e emocionantes que já assisti. Com certeza é diversão garantida para toda familia.

Conta a história de um velhinho, Carl, um vendedor de balões da melhor idade que está prestes a perder sua casa, e de um menino, Russel, que precisa desesperadamente ajudar alguém para ganhar uma importante medalha de escoteiro.

Para não ir para o asilo, após um incidente, Carl amarra vários balões em sua casa e decide partir para a América do Sul, o que ele não imagina é que Russel, embarcou nessa aventura também.

Imperdível, vale a pena ver e rever.



quinta-feira, 4 de março de 2010

Deus atende nossas preces?


Me recordo que quando estava com 11 anos, pedi a Deus que me desse um amigo (a). Eu tinha vários bons coleguinhas e amiguinhos na escola, gostava muito de estar com todos eles, mas lembro que em minha oração eu pedia por um amigo diferente... Alguém em que eu pudesse ser eu, sem máscaras... 7 anos se passaram e eu havia esquecido o pedido, mas Deus não!

Ao longo da minha vida, conheci pessoas muito queridas e especiais, mas apesar disso, sentia que me faltava alguma coisa, aquele amigo que estava em meu coração, que tinha um estilo de vida e pensamentos diferentes dos outros, mas iguais aos meus...

Deus me deu a graça de conhecer ainda na adolescência, a Débora, uma pessoa muito querida, que se tornou uma grande amiga e que com suas dificuldades, alegria e simplicidade me levava para mais perto de Deus. Anos mais tarde ela me daria um dos presentes mais lindos que eu poderia ganhar, meu afilhado Gustavo.
Através da Dé, algum tempo depois, em um evento católico, conheci um outro amigo, o Rodrigo, menino doido, rsrs, e através dele fiz novos amigos, pessoas que como eu, queriam e almejavam viver a mesma coisa, algo diferente de tudo o que se vê por ai.

Clarice Lispector diz: "Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente", essas pessoas que Deus colocou em minha vida, em minha história, assim como eu, não são melhores, mas diferentes, e muito especiais pra mim...

Não são anjos, mas humanos, pessoas que muitas vezes erram, mas que lutam pra acertar, que nadam contra a maré, que buscam viver o céu na terra, que sofrem, que choram, que sorriem, pessoas que buscam a santidade, homens e mulheres novos para um mundo novo!

Não os considero apenas amigos, mas irmãos... de luta, de caminhada, de fé, de oração, de lágrima, de alegrias...

Nossa familia abençoada cresce a cada dia e de São Paulo expandiu para o Brasil... rsrs! Demos um nome a ela, Jovens Sarados!!!

Pois é, muitos anos se passaram desde os meus 11 anos e pude constatar que Deus atende as nossas preces. Ele atendeu a minha e fez mais... "Coisas que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração humano sequer imaginou, tais são os bens que Deus tem preprarado para aqueles que o amam." 1 Cor 2,9